23 de mar de 2011

Ibama apreende sete toneladas de peixes em litoral capixaba

A operação Argus, do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), apreendeu sete toneladas de pescado ilegal em uma traineira de Santa Catarina, na Baía de Vitória. A informação da Federação de Pescadores do Espírito Santo é de que ao todo há atualmente sete traineiras atuando no litoral capixaba e diminuindo consideravelmente o número de pescados na região.

A diminuição, segundo a Federação, se deve ao uso de redes com 5 mil metros de comprimento e 100 de largura, capazes de arrastar cardumes inteiros, inclusive filhotes, impedindo que os peixes de diversas espécies cresçam e atinjam o tamanho ideal para pesca.

Segundo os pescadores, as traineiras, que chegam a passar cinco meses no litoral capixaba, possuem licença para pescar sardinha a 100 metros da costa, mas aqui costumam pescar durante a madrugada, arrastando cardumes inteiros de diversas espécies de peixe, como a espécie bonito, encontrado na traineira apreendida pelo Ibama, nesta quinta-feira (17).

Isso ocorre, segundo Álvaro Martins da Silva, que preside a colônia de pesca da Enseada do Suá, quando as traineiras ficam proibidos de pescar no Sul e, autorizadas por uma medida do ministério, ficam liberadas para realizar suas atividades também no Sudeste.

Segundo o Ibama, estas traineiras possuem Licença do Ministério da Pesca e, portanto só podem ser autuadas se estiverem pescando dentro do limite de 100 metros da costa, porque é proibido. Outra infração que pode frear as traineras é o fato de elas serem flagradas pescando outras espécies de peixes, enquanto suas licenças geralmente correspondem à pesca de sardinha.
“Não é crime aportar ali, até sem licença se pode ancorar no porto. Mas para prender é preciso flagrar a ação. No caso da traineira flagrada esta semana pelo Ibama, a embarcação foi flagrada na Baía de Vitória portando sete toneladas de um peixe que ela não era autorizada a pescar”, explicou a assessoria do Ibama-ES.

A atividade é considerada uma covardia pelos pescadores, que ressaltam ser uma traineira capaz de pescar em média 70 toneladas de peixes em apenas dois dias de trabalho e que geralmente descarregam todo o pescado durante a madrugada.

A briga entre traineras do Sul do País e os pescadores do Estado é antiga, assim como a cobrança pela fiscalização das embarcações feita há mais de quatro anos de forma efetiva no Estado.

No ano passado, mais de 50 barcos chegaram a fechar a entrada da baía de Vitória em protesto contra a falta de fiscalização sobre as embarcações, e a apreensão da rede de um pescador de 85 anos por pescar próximo ao Porto de Tubarão de forma artesanal, acirrou as cobranças na última semana.

Segundo o Ibama, quando uma traineira é abordada todo o seu material é fiscalizado. Entretanto, se ela estiver a 100 metros da costa e pescando em acordo com a licença concedida pelo Ministério da Pesca as redes são autorizadas.

Segundo Adwalber Lima, presidente da Federação de Pescadores do Estado, os pescadores querem o fim do decreto que libera as traineiras a circular no Sudeste. A cobrança já foi feita ao Ibama e a vereadores e deputados do Estado, mas sem sucesso.

Segundo o Ibama, a ‘Operação Argus’, que é nacional, continuará atuando no Estado através da superintendência capixaba durante todo o ano.

Fonte - ESHoje / Seculodiario

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